quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Eurótico Patrice de Moraes

EURÓTICO
O PULSO AINDA E O CORPO AINDA É POUCO
TÉCNICA: BETUME DA JUDÉIA E CARVÃO SOBRE TELA
(40x70)cm, 2007


Após viver prazeres memoráveis
doados pela mão da existência
fui incitado pela consciência
a descobrir a origem de inefáveis

prazeres. Resolvi em animáveis
lucubrações chegar à luminescência
ansiada. Utilizei muita ciência,
e as conclusões não me eram agradáveis.

Pensei... pensei... pensei... e num suspiro
de eternidade veio-me um lampiro
tirar-me desse entrave semióptico:

“Não busca além de ti qualquer resposta”.
Olhei-me o eu, luzi sua proposta.
E a mim, meu eu me revelou EURÓTICO.

A poesia e as homenagens do Silvério Duque (Poema Inédito)

...PARA NÃO SUICIDAR
DE GABRIEL FERREIRA

à Nívia Maria Vasconcellos, irmã e poeta.

São demais os perigos desta vida
para quem tem paixão, principalmente...
VINÍCIUS DE MORAES
SEM TÍTULO*
TÉCNICA MISTA SOBRE TELA
(80x100)cm, 2008

Ah, as coisas que amamos, que emprestamos
aos instantes de que a alma se alimenta,
como os mundo que a nossa dor intenta,
só tem valor se nós as confessamos.

Bem maiores são as vidas que rogamos
aos seus signos, sua ação profunda e lenta
sobre as lembranças que a memória inventa,
que valem muito mais do que pensamos

ser a nossa cruel realidade.
E, em todas elas, há uma saudade
presente, uma morte anunciada,

e uma beleza que de tão perfeita
não pode ser cantada, e, sim, refeita,
por uma lágrima... ou uma risada...

Silvério Duque, Feira de Santana 15 de janeiro de 2008

*NÃO SÓ DOS ARTISTAS FAMOSOS ROUBAM-SE TELAS, ESTA MINHA PINTURA TAMBÉM O FOI (ENGRAÇADO)!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Salve João!!!

JUNINA
ACRÍLICO SOBRE PAPELÃO PARANÁ
(420x297)mm
MAIO DE 2010

Oxe, como ser artista nestas terras tão nordestinas e não render louvores e graças à sua cultura? Ampois, como todo bom nordestino, nascido em cidade pequena e apreciador da música destas bandas de cá, faço o meu culto, através desta pequena pintura ao som que emana do forró nas festas juninas. Apaixonado que sou pelas manifestações do povo, alegro-me em destacar a alegria, da minha forma, através de pinceladas rápidas e muito carinho pelo colorido das fitas e folgedos inspirados no Santo João. Viva São João rsrsrs!!!

A ilustração acima está no cartaz do São João da UEFS de 2010. Não recusei o convite do Prof. Miguel Almir em realizar, mais uma vez, este trabalho!!!


"...Que as dez da noite
O forró já tá de pé
Sanfoneiro abre a sanfona
E só se vê chegá mulher
Tem buscapé, o caldo de feijáo no bafo
A meia légua de escuta
O som do chinelo chiar"

(Xililique - João Silva & J B Aquino)

Abertura dos Salões Regionais de Artes Visuais da FUNCEB

Minha participação nos Salões Regionais de Artes Visuais da FUNCEB dar-se-á aqui em Feira de Santana, cuja abertura será no dia 11 de Junho às 20h no Centro de Cultura Amélio Amorim. É a minha 5ª participação nos eventos, o quais têm contribuído bastante para a minha formação artística.
Estarei representado pela instalação: SOBRE A MESA DE MARIA AMÉLIA (detalhe acima).
Compareçam!!!


Confira a programação dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia 2010:
Feira de Santana
11 de Junho a 25 de Junho
No Centro de Cultura Amélio Amorim

Jequié
09 de julho a 22 de agosto
No Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães

Vitória da Conquista
13 de agosto a 26 de setembro
No Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima

SAIBA MAIS SOBRE OS SALÕES CLICANDO NO TÍTULO DA POSTAGEM!!!

Última semana de exposição

Saudações!

Esta é a última semana da mostra BRINQUEDO DOS ANGOLAS: CAPOEIRAGEM, no MAC em Feira de Santana-BA. Embora as fotografias das telas estejam postadas neste blog não perca a oportunidade de fazer uma visita ao Museu para conferir de perto o trabalho. Contudo, em Agosto deste ano, na Galeria Carlo Barbosa no CUCA, em Feira também, ocorrerá a 2ª Edição desta mesma Mostra, só que, com um dendezinho a mais!!! Aguarde que, será uma mostra de Capoeiragem especial, talvez a primeira naquela galeria, afinal de contas será a minha primeira mostra individual na Carlo Barbosa depois de alguns anos pleiteando em editais do CUCA. Particularmente e, acima de tudo como o artista promotor da mostra, estou entusiasmado com a oportunidade e estou trabalhando nas ilustrações com muito tesão e carinho. Aguardemos juntos, então! Aproveito para postar uma obra, que não faz parte da mostra do MAC, mas, se mostra bem entrelaçada à temática da Capoeiragem. Trata-se duma tela inspirada e, homônima, à canção DOMINGO NO PARQUE do Gilberto Gil. Aprecie e deixe um comentário:

DOMINGO NO PARQUE
TÉCNICA MISTA SOBRE TELA
(51x73)cm
ABRIL DE 2009

"A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá
Prá Ribeira, foi namorar..."


domingo, 30 de maio de 2010

Ao Luiz, às Meninas do Luiz...

Encanta-me muito dessas coisas do sertão, da música à farofa com carne seca de bode (frita!). Do forró do Rei inspirei e pintei, do dengo das meninas da minha região colhi as graças, as cores, o molejo das formas e das curvas.
Da junção de tantos elementos fluí junto com o texto da canção Xote das Meninas para a representação imagética do lado "conspirador" de meninas que já me puseram a inspirar tantas outras obras.
Da minha intenção corri pelos quatro cantos da minha oficina para a produção das telas que se seguem. Com muito amor, dedico-as às meninas que se lançam à sedução por estas bandas daqui do sertão:

Mandacaru
Quando fulora na seca
É o siná que a chuva chega
No sertão
Toda menina que enjoa
Da boneca
É siná que o amor
Já chegou no coração...
De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando
Sonhando acordada...




sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um pedido do Bel Pires, uma homenagem ao Sr. Damário Dacruz

Meu caro e estimado amigo Bel Pires enviou-me este texto em homenagem ao Damário, para que fosse publicado neste Blog, então, o faço, pelo apreço que tenho a estes grandes mestres!!!


Damário DaCruz, o Cavaleiro da Luz


Por Bel Pires

É com o peito apertado que dedico essas linhas para Damário, nosso grande poeta. Relutei em escrever, mas se passado alguns dias não tenho mais como relutar, pois é com alegria que me lembro deste poeta e seu “gran finale”.

Conheci Damário no final dos anos 1990. Tinha o hábito de freqüentar o seu santuário “Poso da Palavra” na Cidade Histórica de Cachoeira em companhia do amigo cachoeirano Edmar Ferreira, historiador de ofício e poeta por convicção. Damário nos chamava de Cavaleiros da Luz, pelo fato de juntamente com ele aguardarmos o alvorecer do dia depois de experimentarmos a boêmia noite de Cachoeira, no deleite da boa poesia e saborosa cachaça. Todos nós ficávamos enfeitiçados pelos mágicos encantos vivenciados naquele que se intitulou, também magicamente, como “Pouso da Palavra”. Éramos os cavaleiros da Luz no castelo do velho poeta.



Fica aqui a minha dedicatória a Damário DaCruz, o cavaleiro da Luz!

Mais um Salão de Artes

Mais uma vez ingresso em um Salão de Artes. Muito simples, contudo, significativo, ainda mais quando se trata dum artista que persegue, literalmente, linhas interessantes para o seu currículo. Há cinco anos pleteio Editais da Fundação Cultural do Estado da Bahia quando se trata dos Salões Regionais de Artes Visuais e, em todas as vezes que fiz inscrição nunca fiquei de fora, sendo que, antes mesmo da primeira tentativa foi esnobado e levado a convencer de que não teria o mínimo talento para as artes plásticas ou área correlata, contudo, a argumentação (blablaliana) foi péssima, mesmo vinda de um "baCaninha Dias" das artes visuais do Estado Bahia (risos). Enfim, voltando ao que interessa: minha primeira exposição em Salão se deveu à poesia do Patrice de Moraes, pois, dela, pude extrair os elementos visuais para compor o Diário de Valquíria Lima. Por ter gostado da idéia de pleitear Editais de tal natureza, eis que se publica o segundo Edital, este, no ano de 2007; fiz inscrição de duas obras, as quais foram selecionadas e, para a minha surpresa, uma delas foi premiada! Não apenas isso: recebi o Prêmio Juarez Paraíso, Sala Especial no Salão do MAM do ano subsequente e publicação da obra em catálogo de artistas premiados pela FUNCEB! Maravilhoso para um artista novo que, jamais havia recebido sequer uma menção honrosa, entretanto, já havia participado da XVIII Bienal do Recôncavo e ralado muito pelas vias e vielas dessa vida. Para não deixar o costumeiro hábito, desde 2005 venho ingressando nos Salões da Fundação Cultural, dentre os quais me renderam "viagens" e viagens interessantes, pois, a permissibilidade da arte contemporânea abre-me à libertinagem e o fluir conceitual, que ainda não faz parte de alguns apreciadores que combinam cores de telas com os seus sofás!

O Salão que participarei em 2010 será aqui, na minha terra adotiva, em Feira de Santana, donde tenho, nas entranhas, muitos investimentos e enfrentamentos. Enfrentamentos voltados para espaços d'arte que não estão abertos para o público e sim para a poeira, sob o argumento, dos dirigentes daqueles, de que na cidade, arte não é para finais de semana; com isso grande parte dos amigos que gostam do meu trabalho o vêem neste blog ou vão à minha casa quando não podem ir às vernissages (é engraçado, mas é real).

A obra deste salão assinada pelo artista que vos escreve é intitulada de SOBRE A MESA DE MARIA AMÉLIA (deixei um pouco as Valquírias rs) e há toda uma argumentação que atesta a concepção da mesma. Trata-se de uma instalação, cujos elementos são voltados para o erotismo em conformidade com alguns trechos bíblicos. Chamo de conformidade o que a minha cabeça pode estabelecer numa anatomia comparada com imagem e texto; afinal, minha temática voltada para o erotismo tem essas nuances, muita gente critica e outras detestam, contudo, me rende seleções em espaços interessantes e, até mesmo mais notoriedade (o fato é curioso, mesmo!).

Eis, abaixo, um dos elementos da instalação: 

SOBRE A MESA DE MARIA AMÉLIA
TÉCNICA: BETUME DA JUDÉIA, VERNIZES E CARVÃO SOBRE DESCANSOS PARA PRATOS NA MESA (JOGO AMERICANO) - 05 DE 06
ANO: 2010

MEMORIAL DESCRITIVO DA OBRA: Questões relacionadas à sexualidade de mulheres donas de casa são veladas ao ponto de serem relegadas à condição de inaptidão “carnal”. E, quando tais questões são levadas à mesa na forma de discussão, que se propõe a forma conceitual desta obra, desnuda-se um universo cheio de pudores e restrições. “Redesenhar” a sexualidade em ambiente doméstico, através de imagem, está no intuito desta obra, a qual tem como suporte um acessório do quotidiano de várias cozinhas comuns: o “jogo americano” que se põe sobre a mesa e sob os pratos. Como estes “jogos” são decorados de imagens (frutas, legumes, flores e bons pratos preparados) peculiares ao ambiente e, são sinônimos de cuidado, para com a mesa posta, por mulheres que, de tão prendadas (neste contexto) são chamadas Amélias, a transfiguração azeita a discussão, seduz os olhos e transfere os sentidos da “comida” para outras formas de prazer. A Obra faz a conjunção de fatores que se reprimem para emergir com mais provocação, a saber: sexualidade e religiosidade. Como a religiosidade é determinante no processo de construção do comportamento de submissão ao “macho”, ser uma Maria e ser uma Amélia (ao mesmo tempo), ser a senhora do lar e dos afazeres sexuais põe a personagem desta Instalação em plena desobediência aos seus valores culturais e refém dos seus instintos (mesmo em pensamento). Gerar este paradoxo na mente da personagem incorre em “pecado” de consumir a própria carne quando que, o “ser mulher” põe-se em devaneios, até mesmo à mesa (e/ou sobre ela), doando o próprio corpo como alimento para desejos latentes.

sábado, 15 de maio de 2010

Bel Pires: Doutor Capoeirista


Mestre Bel Pires é um desses sujeitos a quem devo muito, quando se trata desse meu lado "capoeira"; pois, foi um dos poucos que estendeu a mão e me cedeu espaço e muito material para ler, para escutar e para ver acerca do tema. Estendeu a mão ao tempo que deixou uma porta aberta para a parceria em suas publicações. Devo ainda ressaltar a sua garra acadêmica, pois conseguiu chegar ao doutorado estudando o que mais gosta de fazer: capoeira. Sua vida sempre foi cheia de opções e muita ação. A opção de avançar e expandir academicamente com o estudo da historiografia bem vinculada à "vadiagem" rende àquele sujeito uma admiração muito grande emanada da minha pessoa, pois aquele preto vai buscar a razão dos seus sonhos aonde ela estiver. Em termos de ações consegue viajar carregando consigo sua identidade e, mais ainda, autoridade. Obrigado por ter realizado a abertura da Mostra e, vida longa!!! Você é mais do que mestre, é um cabra da peste rs.