sábado, 12 de março de 2011

MOVIMENTOS DOS CAPOEIRAS

TELA 3 - CAPOEIRAGEM
TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL CARTÃO
(297x420)mm
2008

Por dois anos consecutivos abro minha temporada de exposições com a temática voltada para a Capoeiragem e, em 2011, com mais um pouquinho de dendê - como havia comentado antes. Contudo, o que mais me entusiasma é poder inserir-me neste universo social como colaborador e ostentador da prática da capoeira, não apenas como esporte ou luta ou, ainda como modelo estético temporal. Percebo a atividade como atemporal e expansiva, coisa que vai além da manifestação do Preto e salta a uma manifestação de qualquer indivíduo, desde que, sinta-se envolvido com o chamado do Berra-Boi para a roda e com o axé das palmas dos capoeiras. É um fenômeno saltar, cair em negativa, fazer queda de rins e solta rabos-de-arraia através de ilustrações tão realistas e ao mesmo tempo embebidas com as peculiaridades que me cabem como artista. Adentrar o mundo da capoeira como quem compra um jogo e se benze ao pé do berimbau, dá ousadia ao meu traço para que o mesmo exerça total liberdade de assumir suas formas com uma identidade cultural que não precisa de "olhos" ou "bocas" para imprimir o sentimento do capoeirista. Muito desse sentimento eu colhi na própria roda, senti o atabaque e a marcação do agogô, mas, nada se compara ao sentimento de um praticante do "movimento" para poder relatar com mais precisão o desenrolar de pernas e braços. Por conta disso é que me municio com o falar e com o linguajar de quem tem autoridade no assunto, para poder assim, devolver a sua retórica de forma mais próxima possível da realidade, mesmo deixando transbordar muita tinta.

BRINQUEDO DOS ANGOLAS E ORIXÁS



Estou trabalhando na mostra de artes plásticas que realizarei, em meados do mês de abril, na Galeria Carlo Barbosa do CUCA, em Feira. A temática da exposição entrelaça duas manifestações na cultura negra que me aprazem muito: a Capoeira de Angola e o Candomblé. Para colar estas duas linhas estou contando com a ajuda do trabalho de pesquisa historiográfica do mestre de capoeira e professor Bel Pires, o qual engraçou-se com a poesia do Aloisio Resende (poeta feirense) e, como a poesia embala muitas das minhas ilustrações, em geral, facinei-me com essa boa possibilidade de colocar tudo num mesmo prato de barro e despachar numa Galeria. Assim, estou inspirado na poesia daquele, chamado de Poeta dos Candomblés, pelo Bel Pires, para poder apresentar ao público mais uma das minhas aventuras pictóricas. Creio que no dia da abertura (com data ainda a ser confirmada pelo CUCA) poderei contar com outras linguagens como a Capoeira do Grupo Malungo e alguns outros parceiros do batuque e da dança afro, assim como, da presença significativa dos amigos, curiosos e críticos desse viés imagético cheio de dendê que pretendo dispor.


CAPOEIRAGEM ANTIGA
ACRÍLICO SOBRE PAPELÃO DE SAPATEIRO
(420x297)mm
2009