TELA 3 - CAPOEIRAGEM
TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL CARTÃO
(297x420)mm
2008
Por dois anos consecutivos abro minha temporada de exposições com a temática voltada para a Capoeiragem e, em 2011, com mais um pouquinho de dendê - como havia comentado antes. Contudo, o que mais me entusiasma é poder inserir-me neste universo social como colaborador e ostentador da prática da capoeira, não apenas como esporte ou luta ou, ainda como modelo estético temporal. Percebo a atividade como atemporal e expansiva, coisa que vai além da manifestação do Preto e salta a uma manifestação de qualquer indivíduo, desde que, sinta-se envolvido com o chamado do Berra-Boi para a roda e com o axé das palmas dos capoeiras. É um fenômeno saltar, cair em negativa, fazer queda de rins e solta rabos-de-arraia através de ilustrações tão realistas e ao mesmo tempo embebidas com as peculiaridades que me cabem como artista. Adentrar o mundo da capoeira como quem compra um jogo e se benze ao pé do berimbau, dá ousadia ao meu traço para que o mesmo exerça total liberdade de assumir suas formas com uma identidade cultural que não precisa de "olhos" ou "bocas" para imprimir o sentimento do capoeirista. Muito desse sentimento eu colhi na própria roda, senti o atabaque e a marcação do agogô, mas, nada se compara ao sentimento de um praticante do "movimento" para poder relatar com mais precisão o desenrolar de pernas e braços. Por conta disso é que me municio com o falar e com o linguajar de quem tem autoridade no assunto, para poder assim, devolver a sua retórica de forma mais próxima possível da realidade, mesmo deixando transbordar muita tinta.